sexta-feira, 23 de março de 2012

Exposição NandoNegreiros



Texto de Jeanne Maz sobre o trabalho de Nando Negreiros    

                   Entrar em contato com a obra de Nando Negreiros é adentrar o repertório visual do inconsciente onde seus signos são o prolongamento do seu eu, onde sua trajetória está fidedignamente registrada  na poética do visível, onde cada peça foi tatuada - sem amarras psíquicas -  com suas vivências e percepções. 
                   A força de seu fazer artístico transforma tudo em que toca, como um midas contemporâneo, que transmuta lixo, panos, garrafas, madeira, plásticos ou qualquer objet trouvé  numa viagem imagética, repleta de sinestesias. Os materiais peculiares, as coisas do cotidiano, os elementos descartáveis rompem seus limites e se recriam numa alegoria íntima e pessoal.
Assim como o “combine painting” rauschemberghiano,  Nando  dá ao lixo o status de Arte.  
                  Mesmo nos seus supostos ready-mades, a força artística desse artista brasiliense se impõe, há uma subversão e apropriação do objeto à sua visão artística. O  material escolhido não apenas muda de função,  ele é completamente transformado, impregna-se de sentimentos, buscas, texturas, dores, descobertas, alegrias, desejos... E cola, muita cola. E tinta, muitas camadas de tinta. 
                       Nessa retrospectiva de quinze anos  Negreiros impressiona pela unicidade do seu trabalho, qualidade muito rara num artista tão jovem, identidade que compactua para tornar sua obra tão marcante e inconfundível. Toda peça  clama sua expressividade, cada olhar à exposição se metamorfoseia em  sua percepção de mundo, tudo dialoga com o expectador, nada se perde na indiferença.                        Essa originalidade ora insinua-se na massa pigmentaria, ora grita no seu expressionismo violento, algumas  vezes encanta nos detalhes dissonantes, noutras arrebata-nos entre o lirismo e o drama. 
                      Mesmo com palheta reduzida e com abuso de tons cinzentos a sua força cromática é imperiosa. Há um encontro (ou esbarro)  entre interioridade e exterioridade. A  dissecção da psique humana, tema do seu estudo na psicologia, é a matéria viva do seu trabalho e ambos progridem juntos, tendo como base a exploração da sombra, do que está camuflado, do que queremos esconder. A  inteireza do homem reverbera nos seus objetos e nos toma de impacto ou assombro. Ou nos inebria... 
                     Impossível não ser tocado pela força artística de Nando Negreiros, impossível não se deter ante sua obra.
                                                
Jeanne Maz-Curadora 

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Texto de Simona Vermeire sobre a obra de Nando Negreiros.

A colisão emocional com os objetos, produz obras de arte… Esta seria uma primeira impressão de uma qualquer sensibilidade estética genuína confrontada com a exposição do artista Fernando Negreiros Janot. O “passeio” lúdico e inteletual entre vários ready-made reciclados sensorialmente através de vários contextos emocionais projetados pelo olhar do público, propõe um desafio em penetrar a “marginalidade” da matéria, a subjetividade dos objetos. A técnica de bricolage torna-se um poiesis da hibridação do material plástico compósita (papel, têxteis, adesivo, agua, tinta de vinil, tinta asfáltica, tinta óleo, vidro, metal, madeira e fogo) que siga uma atitude estética claramente definida pelo artista: criar à partir de qualquer elemento da realidade que transparece pelo próprio corpo num esforço fenomenológico contínuo. A arte seria então um resultado deste passeio exuberante numa realidade “reescrita” pela sensorialidade, um spaziergangwissenchaaft (termo alemão para a ciência do passeio), reciclando visões ontológicas, alternativas e virtualidades dos objetos no plano imanente e estético. O horizonte emocional medíocre configurado pela veiculação abusiva dos arte factes no pós-moderno ambiciona o artista Fernando Negreiros na criação de “mascaras mortuárias” para esta realidade do indistinto ontológico, de faustiana alternância entre ser e não-ser. A mascara de papel-maché envolvendo garrafas, seria um embrulho inteletual para a transparência dos sentidos estéticos, das interpretações superficiais veiculadas fora de qualquer tocque emocional. O vidro, uma matéria sólida amórfica, redefine a sua essência através da cromática refinada com técnicas onde se utiliza o fogo: a transição do líquido para sólido reescreve o processo entrópico do ato criativo. O vidro torna-se a lente otica do artista que “eviscera” um possível espectador, refletindo dramáticas metamorfoses oníricas de uma psique dissonante. O contemplar no vazio destas garrafas “embrulhadas” em materialidade torna-se um “stress” gravitacional, impedindo o olhar de levitar através das transparências. As garrafas transformam-se desta maneira em “garras” do olhar e do espírito, tomando formas ilusórias de telescópios invasivos na mente fascinada do qualquer Narcis reinventando no vortex do seu reflexo: as formas helicoidais do papel maché “acumulam”, num movimento infinito, corpos abandonados durante o ato estético espontâneo. A geometria ótica do vidro, surpreendida em refletir e refratar a luz, reinterpreta uma geometria espiritual do exercício artístico, seguindo uma partitura hierofanica do objeto simples e usual (a garrafa) que se torna o recipiente do sagrado. Uma camada suave de matéria, a massa de papel maché, envolve como um útero uma transparência frágil, uma moldura materna que transfigura a garrafa, numa fonte inesgotável de interpretações psicanalíticas, entre revelar e camuflar, entre construir e desconstruir falsas alternativas em busca da própria identidade: “Minha transparêncidade enfoca a dramaticidade dos pregos que me suportam”, disse o artista num esforço paralelo de escrita ao ato de plasticizar o próprio ser.  

                                                                                            (Ass.Simona Vermeire, 14 de março de 2012).

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Convido a todos para mais uma exposição do artista Plástico NandoNegreiros (Fernando Negreiros Janot).
Essa exposição é uma espécie de retrospectiva com obras que fazem parte de diversas fases de sua produção durante esses últimos 15 anos. 
O evento marca o retorno desse profissional brasiliense que se afastou, por aproximadamente 5 anos, de suas atividades artísticas, e passou a trabalhar apenas como profissional da Psicologia. Será uma mostra de grande importância em sua carreira artística.  
Esperamos você nesse grande evento, que funciona também como um presente de aniversário para o artista plástico Lourenço de Bem, um dos mais importantes artistas do contexto cultural brasiliense, nesse espaço que foi (juntamente com a UNB) palco de surgimento da grande maioria dos artistas plásticos de Brasília, e hoje conta com uma importante galeria.

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Texto de Fernando Negreiros Janot sobre a Exposição NandoNegreiros

Uma retrospectiva que anuncia o retorno das atividades de um artista brasiliense de reconhecido valor na produção de objetos de arte, esculturas e pinturas. Nessa exposição será apresentada uma pequena parte de suas antigas obras. Apenas um pequeno conjunto de trabalhos de épocas e fases anteriores, que ainda estão em posse do artista ou de alguns de seus amigos próximos. Além disso, o espectador vai se deparar com obras mais atuais, dentre as quais se encontra reciclagens de alguns seus próprios trabalhos, através da utilização de um novo figurino para a reapresentação de seu antigo tema de produção artística: a reciclagem. Conceito que além de traduzir o seu fazer artístico e classificar o conjunto das técnicas que utiliza na elaboração de seus trabalhos, passa a funcionar como referencia a seu estilo.
 Assim na obra de Nando Negreiros acaba-se por jogar com os conceitos de técnica e estilo de maneira a atribuir o sentido de estilo a o que antes se prestava a significar apenas um mero conjunto de técnicas. Com isso percebe-se a elaboração de um belo movimento de reorganização, manipulação e re-arranjo de conceitos e criação de novos sentidos, outra característica central no fazer artístico do Nando Negreiros. Talvez possamos entender essa exposição como o resultado de uma lapidação, evolução, ou amadurecimento de um estilo. Mas também como a demonstração de uma reciclagem, tanto da obra e do estilo do artista, como a reciclagem da pessoa que é o artista.
                                                                                                                                (Ass.Nando Negreiros).  
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Link para álbum de fotos no picasa
https://picasaweb.google.com/102334688264013228680/ExposicaoNANDONEGREIROS2012?authuser=0&feat=directlink
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